No final de 2022 fizemos uma dinâmica no trabalho. Esta dinâmica era parecida com um amigo secreto, mas pelo nome da unidade e não com o nome das pessoas. O presente deste amigo secreto eram desejos para o próximo ano, escritos em metade de uma cartolina. Apesar de serem da mesma Organização, estas equipes só tinham contatos a cada 2 ou 3 meses para as reuniões inter unidades. Não lembro ao certo neste momento quem minha equipe tirou, muito menos quais foram os desejos que tivemos para esta outra equipe. O importante aqui não é falar do que desejamos, mas do que recebemos enquanto equipe e como isso reverberou na minha vida de forma individual.
Esta dinâmica de amigo secreto foi rápida. Tiramos o papel e tínhamos que
escrever 5 desejos. A equipe que nos tirou, desejou coisas boas e ao ler para
nós o que estavam nos desejando, uma das minhas colegas de trabalho, enfatizou
o primeiro desejo, dirigindo-se a mim de forma a ressaltá-lo em alto e bom som
diante das outras colegas e das outras equipes.
Na ocasião eu atuava como a diretora da unidade e ao ouvir o “desejo” da
colega sendo apresentado como cobrança, me senti como se, na minha prática diária,
eu negasse aquilo todos os dias, nas nossas vivências, possibilidades,
parcerias e atuação do trabalho, tanto coletivo quanto individual, dando a
entender que a equipe não tinha aquilo, pois eu não permitia.
A Prosperidade, desejo qual foi nos dado de presente e que a colega
enfatizou, foi pensado e repensado por mim, por muito e muito tempo. Me fiz
diversos questionamentos, se eu realmente precisava promover a Prosperidade com
aquela equipe. Me perguntei se eu estava favorecendo os desejos para que minha
equipe pudesse usufruir na prática de tudo o que nos foi desejado. Enfim, me
cobrei sobre aquilo que eu acreditava ser minha responsabilidade. No mesmo
final de 2022, alguns membros da equipe saíram... Lembro que “dei um google” na
palavra Prosperidade e pelo que ele havia me apresentado, decidi que eu
colocaria em prática algumas coisas no ano seguinte.
Em 2023 a equipe parecia estar perfeita, fortalecida e completa. Receber
novas pessoas foi restaurador, trouxe animo e crenças naquilo que poderia ser diferente.
Éramos uma verdadeira equipe (não perfeita). Busquei colocar em prática o estabelecimento
de metas claras (mesmo que eu precisasse repetir ou desenhar algumas vezes) e praticar
a gratidão diária (independentemente de como as coisas estavam acontecendo) e aí,
em dado momento fomos separadas... algumas permaneceram na Instituição em unidades
diferentes, outras saíram da Instituição. De lá pra cá, a história de cada uma
tomou um rumo. Algumas permaneceram por pouco tempo, outras ficaram por mais
tempo e outras ainda permanecem.
Hoje, 2 anos depois dos desejos ofertados, penso o quanto esses desejos
foram positivos na minha vida de forma singular e individual. Simultaneamente percebo
o quanto esses desejos foram significativos na vida daquela equipe também de
forma única e ímpar. Quero destacar aqui a Prosperidade que foi cobrada por aquela
colega de trabalho. Talvez, sua não cobrança, não tivesse despertado em mim o
desejo por pensar, refletir, desconstruir e mudar maneiras de atuar.
Por fim, a vida de todas foi afetada por todos os desejos. A Prosperidade
chegou para todas. Outros empregos, outras funções, aumento da família, mudanças
de residências, filhos... enfim a Prosperidade veio. Cada uma dessas mulheres
pode ainda não estar aonde desejam, do jeito que desejam, mas estão mais prosperas.
Suas vidas prosperaram talvez não da maneira como esperavam, mas da maneira
como precisavam.